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    15.12.05


     
    SAPATOS x ESTADO DE ESPÍRITO

    Concluí que nossos sapatos falam mais de nós do que imaginamos.
    Não é difícil entender porque algumas pessoas tem compulsão (presente!) por eles.
    Uns são tão lindos e está na cara que são desconfortáveis, mas usa-se assim mesmo.
    Outros, já estão gastos, perderam a beleza inicial, mas são tão confortáveis que é impossível largar.
    Uns e outros te causam bolhas e machucados no início, mas depois viram seus amigos.
    Ontem, ao sair da sessão de análise, me ocorreu uma observação, no mínimo, curiosa.
    É necessário entrar na sala descalço, logo, os sapatos ficam ali enfileiradinhos.
    O da analista na frente - que por sinal era uma mule bege toda bordada em tons beges e marrons mais escuros - e o do paciente logo em seguida - que por sinal era uma sandália daquelas com cara de confortável, pertencentes a uma senhora.
    Assim que chego, doida para me livrar do meu sapato boneca vermelho, vou logo ficando descalça, antes da paciente anterior sair.
    Lógico que o meu sapato não fica enfileiradinho.
    O meu sapato é daqueles confortáveis, mas que machuca de vez em quando...

    Quando acaba a minha sessão, a analista se despede de mim e convida a paciente a seguir a entrar.
    Trocamos um rápido "oi, tudo bem" e eu observo rapidamente a menina.
    É uma moça no início dos seus vinte e poucos. O olhar disfarçadamente inquieto que a impede de olhar nos olhos.
    Está comendo umas bolachinhas.
    Magrinha e de cabelo lisos e pretos, tamanho médio.
    Usa calça jeans folgada, T-shirt branca, bolsa grandona bege e all star branco.
    Tira o tênis e o estaciona atrás da mule da doutora.
    O tênis branco! Como todo calçado de cor clara, está um pouco sujinho.
    Com aquela aparência deliciosa de que é um tênis confortável, companheiro de várias horas, aquele "sujinho" é um charme a mais.
    Penso no que eu e a moça temos em comum.
    Só encontro a coragem que temos de reservar uma hora para entrarmos em contato com nós mesmas.
    Lembro-me que tenho um all star branco, que adoro.
    E uso pouco. Por medo de sujar.
    Saí de lá com vontade de ser como a Juliana - é esse o nome da moça - em relação ao tênis.
    Quero mesmo ser como a Juliana.
    Usufruir. Não ter medo de sujar aquilo que se pode limpar.


    6:03 da manhã


    Comments:
    Acabei de achar mais uma resolução para 2006 (precisamente a de nº 5.420...): usurfruir. Sem medo de sujar o q podemos limpar.
    Tb quero ser igual a Juliana...a outra...
     
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